Resenha: O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota, de Olavo de Carvalho (@editorarecord)




Título: O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota
Autor(a): Olavo de Carvalho
Editora: Record
Páginas: 616
Ano: 2013
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O curso dos acontecimentos históricos reflete o tipo de personalidade dominante em cada época, e a expressão mais clara da personalidade dominante é o estilo da vida intelectual. O declínio abissal da moralidade pública no Brasil não é causa sui: foi antecedido e preparado nas escolas, nos jornais, nas editoras de livros. A atividade intelectual no Brasil se deteriorou e se prostitui a tal ponto que mesmo o discurso formal do jornalismo e da comunicação acadêmica – para não falar daquilo que um dia já foi literatura – já não serve de instrumento para a autoconsciência. A linguagem dos publicitários e dos cabos eleitorais tomou tudo. O alvoroço de simular bons sentimentos e demonizar o inimigo pela via mais fácil bloqueia toda possibilidade de reflexão séria sobre as próprias palavras.

Gostaria de começar a resenha esclarecendo o porquê de eu me abster tanto em dar uma nota quanto em colocar trechos do livro aqui. Primeiramente, O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota é um livro muito diferente em sua estrutura, pelo menos em relação ao padrão atual do mercado editorial. É mais um compêndio do que um livro propriamente dito, de modo que seria uma injustiça julgá-lo usando os mesmos parâmetros que uso para os livros de maneira geral. Em segundo lugar qualquer trecho, e digo qualquer trecho mesmo, desse livro quando tirado de seu contexto pode ser interpretado erroneamente. Por vezes até mesmo dentro de seu contexto não é um livro fácil de se interpretar. Portanto, copiar e colar pedacinhos aqui seria um desserviço para a resenha e também para o leitor, por isso pretendo construí-la inteira com as minhas palavras.

Agora vamos ao livro. Ele é composto por 193 artigos escritos por Olavo de Carvalho ao longo de dezesseis anos e organizados por Felipe Moura Brasil, um admirador de Olavo. Os artigos são distribuídos em categorias como Juventude, Cultura, Pobreza, Militância, Educação e uma porção de outros, tratando dos mais diversos assuntos a sua própria maneira. Devo dizer que não é um livro fácil de ser lido, tanto pela sua linguagem acima do padrão ao qual o brasileiro está acostumado quanto pelos conceitos que apresenta. Ser difícil não é um ponto positivo nem negativo, apenas uma característica a qual tive que me adaptar, coisa que não demorou tanto tempo assim. É difícil decidir quais são os pontos positivos e negativos de um livro que fala sobre tanta coisa. No final, acho que a pergunta mais importante para se fazer aqui é: será que estou lendo corretamente esse livro?

Muitas pessoas vão querer discordar de absolutamente tudo encontrado nele. Muitas outras vão querer concordar com tudo. Sinceramente, acho que ambas não estão entendendo a ideia de 'O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota'. Claro, houveram momentos nos quais concordei (poucos) e nos quais discordei (menos ainda) de Olavo. Mas admito que, para a grande maioria dos casos, eu não tinha (e ainda não tenho) cacife nem para concordar nem para discordar, simplesmente por ser muito ignorante no assunto. Mas tudo bem, porque o meu concordar ou discordar não é a questão aqui. É a mensagem por trás de tudo o que foi escrito nesses dezesseis anos que conta. E ao entender essa mensagem, o melhor elogio que posso fazer ao autor e sua obra é o seguinte: Olavo de Carvalho é uma boa pessoa.

Se ele é um homem culto e estudado o suficiente para escrever uma obra de grande porte? Sim, quanto a isso não há dúvida. Seus artigos mais do que provam sua erudição. Se ele é honesto para consigo mesmo e seus leitores? Bem, não posso dizer que chequei todas as fontes que o livro oferece, não ainda pelo menos, mas todas as que chequei conferem com as informações fornecidas, e não são poucas. Além disso, não consigo imaginar para quem o autor se venderia, uma vez que ele promove o pensamento crítico sobre absolutamente tudo, então sim, digo com convicção que ele é honesto. Mas por que, afinal, ele é uma boa pessoa?

Porque ele, com um livro que reúne muito do que escreveu durante boa parte de sua vida, nos oferece um estímulo para acharmos um caminho para, futuramente e com muito esforço e dedicação, nos tornarmos pessoas melhores, mais cientes e mais contemplativas do mundo ao nosso redor. Ele não dá a palavra final, mas sim a inicial. Terminar a última página de 'O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota' não vai lhe conferir o status de gênio, mas vai lhe dar o mínimo que necessita para se questionar sobre sua vida, suas convicções, suas crenças e tantas outras coisas. Lido superficialmente o livro pode até parecer pregação, mas uma leitura cuidadosa e calma revela o contrário. Olavo desafia qualquer um a prová-lo errado. Ele não diz "não leia nada que seja contrário a mim" mas sim "leia e depois volte aqui e teste isso contra mim". Convicção e coerência, duas características que sinto estarem cada vez mais em falta no mundo, são fortes nessa obra de Olavo.

Não me tornei um admirador de Olavo de Carvalho, mas certamente o agradeço por todos esses anos de trabalho e também ao Felipe Moura pela organização e notas de rodapé, muito úteis nesse livro. Com o tempo, certamente lerei mais obras do autor, assim como muitas das indicadas. Recomendo 'O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota' para todos.

Esse livro foi cedido pela Editora Record.

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